A longa-metragem de estreia de Pierre Le Gall , Du fioul dans les artères, foi a vencedora da 12.ª edição do Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer, filme estreado na última Semana da Crítica de Cannes, onde arrecadou o prémio Queer Palm Révélation.
Nas palavras do júri da Competição Oficial – a escritora e jurista Joana Ferraz, a programadora e produtora Joana Gusmão, e o curador e professor Juan Luis Toboso – é “um filme que retrata a raridade em se encontrar beleza num mundo de fealdade e opressão; uma história de amor que espelha o preconceito social, mas que nos consegue encher de esperança”. O prémio a atribuir consiste na aquisição dos direitos de exibição por parte da RTP, no valor de 3.000 €.
O júri atribuiu ainda uma menção honrosa a Something You Should Know About Me, de Andy Fidoten. O filme, estreado no festival Tribeca, é uma doce e divertida comédia romântica a cargo de uma equipa maioritariamente trans que mistura ação real e animação para contar a história de um jovem cartoonista e dos seus maleáveis sentimentos pelo seu melhor amigo. O realizador e o ator principal, EJ Marcus, subiram ao palco do Batalha Centro de Cinema para receber o prémio.
Na mesma competição, o documentário What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos, levou para casa o Prémio do Público, recebido em mãos na noite de encerramento por Lexie Bean. O filme explora a vulnerabilidade da sua comunidade trans masculina, contando a história de dois jovens rapazes trans dos EUA que cometeram suicídio.
O documentário Abril de Helena, de Maria Moreira e Victor Hugooli, arrecadou o Prémio de Melhor Curta-Metragem Portuguesa, e a Semeei Vermelho, de Sofia Afonso, foi atribuída uma menção honrosa. Nesta 5.ª edição da Competição de Curtas-Metragens Portuguesas o festival apresentou dez curtas-metragens, avaliadas pelo investigador e professor Diogo Nóbrega, pela aluna de mestrado Lia Chaves e pela realizadora Mariana Bártolo. O prémio, no valor de 500€, é atribuido pela Reitoria da Universidade do Porto.
Com uma programação fortemente marcada pelo tema da adolescência e das redes de apoio, assim como pelo cinema lésbico e feminista, e pela repercussão que tiveram as duas sessões de curtas-metragens portuguesas, a equipa do festival realçou ao longo do evento a excelente prestação do atual cinema queer, em particular o expressivo alcance da “colheita” de novos filmes de 2026, que facilitou duas das três sessões com lotação esgotada, nomeadamente as de Garance e La Bola Negra.
Na noite de encerramento, decorrida no sábado, 7 de novembro, e onde se exibiu a longa-metragem Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul, do mexicano Bruno Santamaría Razo, a organização anunciou que mais de 2.100 pessoas acorreram às 28 sessões do Queer Porto, o maior número de espectadores do festival à data (um acréscimo de 20% face aos números de 2025), numa edição que contou com a presença de 31 convidados nacionais e internacionais, a maioria deles cineastas.
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PALMARÉS QUEER PORTO 12
COMPETIÇÃO OFICIAL
MELHOR FILME
Du fioul dans les artères, Pierre Le Gall (França, Polónia, 2026, 91’)
“Num escuro desterro industrial de exploração laboral e de masculinidade, observamos dois vagalumes que se apaixonam um pelo outro. Um filme que retrata a raridade em se encontrar beleza num mundo de fealdade e opressão; uma história de amor que espelha o preconceito social, mas que nos consegue encher de esperança.”
MENÇÃO ESPECIAL
Something You Should Know About Me, Andy Fidoten (EUA, 2026, 85’)
“Um delicado e divertido retrato do artista quando jovem, uma história que nos permite um olhar à mundividência interior de uma comunidade trans, representada com humor e sensibilidade. Uma viagem íntima de autodescoberta, na qual a liberdade de se amar é parte essencial para nos tornarmos nós mesmos.”
PRÉMIO DO PÚBLICO
What Will I Become?, Lexie Bean, Logan Rozos (EUA, 2026, 87’)
COMPETIÇÃO CURTAS-METRAGENS PORTUGUESAS
MELHOR CURTA METRAGEM-PORTUGUESA
Abril de Helena, Maria Moreira, Victor Hugooli (Portugal, 2026, 20’)
“Pela sensibilidade com que o cinema se aproxima da intimidade de uma família em transformação, revelando-nos a importância fundamental de uma rede de cuidado, de amor. Com Abril de Helena, somos obrigados a ver. Não podemos deixar de ver. “
MENÇÃO ESPECIAL
Semeei Vermelho, Sofia Afonso (Portugal, 2026, 15’)
“Pela intensidade da proposta estética e pela destreza da direção de atores, atribuímos a menção honrosa a Semeei Vermelho.”